Paul McCartney relembrou que seu relacionamento com John Lennon ficou tenso no final dos Beatles e disse que as críticas de seu ex-parceiro o magoaram.
Em entrevista à NME, McCartney falou sobre sua amizade e desentendimentos com Lennon. “Perto do fim dos Beatles, John falou muito mal de mim”, disse o músico.
Ela disse que, na época, encarou o ataque como algo pessoal e difícil de assimilar. “Na hora, foi muito doloroso, como se pequenas adagas estivessem cravadas em mim. Era irritante, porque você pensa: ‘Eu tenho que responder a ele, o que eu faço?’ Mas, de repente, eu percebi: ‘Espera aí, é o John.’ Esse é o cara que eu conheço desde os 16 anos. É assim que ele age. Não doeu tanto quando percebi que era só o John sendo o John”, disse ela.
O cantor também disse que não compõe com a obrigação de “prestar homenagem” a Lennon ou George Harrison. “Acho que não, não penso muito nisso”, disse ele.
Ao comentar sobre as letras do novo álbum, ele citou uma música em que menciona o início de sua colaboração com Lennon em Liverpool. “Em uma das músicas, ‘Days We Left Behind’, eu falo sobre ‘Nos conhecemos na Forthlin Road’, que era onde eu morava em Liverpool, e ‘Criamos um código secreto que nunca revelaríamos’. Não sinto que preciso ser respeitoso. Ele é apenas um amigo — apenas um cara que conheci, e compusemos músicas juntos, então não sinto nenhuma responsabilidade. Espero que ele seja o responsável”, disse ele.
A controvérsia em torno da gestão contribuiu para a divisão do grupo.
McCartney relembrou que o atrito entre os membros da banda aumentou devido a divergências sobre quem deveria cuidar dos negócios da banda. Ele afirmou que apoiava o advogado Lee Eastman, enquanto os outros preferiam o empresário Allen Klein.
Segundo McCartney, o tempo reforçou sua opinião sobre Klein e fomentou uma reaproximação com Lennon. “Tive sorte porque nos separamos por causa de problemas comerciais e outras coisas, e John acabou concordando com a minha opinião de que o cara que eles queriam trazer era o ideal.”[Klein]Ele era uma fraude, e eu sofri porque todos pensavam que eu era louco, que eu era uma fraude”, disse ele.
O músico disse que recebeu o reconhecimento de Lennon, embora a contragosto, e sentiu que havia um lado necessário naquele período difícil. “Então, quando foi confirmado que eu estava certo, foi bom ouvir John dizer, a contragosto: ‘Acho que talvez Paul estivesse certo'”, disse ele. “Mesmo tendo sido um período doloroso, de certa forma tínhamos que passar por isso, senão alguém teria nos roubado”, acrescentou.